Banhada em estrelas, me despi ao luar de todos
os mantos pesados que o inverno me colocou no corpo. Protegida, esqueci como
era o toque leve do vento na pele e o calor do sol no rosto. Nem sabia como era
ser solta, alegre, livre...desapegada das roupagens que o tempo me incutiu. A
culpa era lastro ferrenho, amargo, dolorido, como uma flechada no peito. Nem sabia que podia experimentar outra dimensão, mais etérea, mais sutil...Avancei
anos a fio, tecendo a trama do meu destino com restos e fiapos do passado. E
percebia, no padrão que construía, que havia remendos aqui e ali. Foram anos,
décadas, de ilusão e enganos que, ao final, acabou inconsútil. Quando dei por
mim, o tempo havia fugido por entre dedos e só restava virar a página.
Mergulhei na alma que soçobrava e, das réstias de luz que ainda flutuavam,
resgatei o pouco de mim que sobrara. Fui me recolhendo, aos poucos, lentamente.
Do peso acumulado por horas intermináveis, armadura perfeita dos que se
ocultam, se escondem, pus um ponto final. Já Fênix, ganhei outras asas e saí na
direção do infinito. Agora estou segura...Agora sou eu!
Fonte: Ingridpolsonphotography.com

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