Reflexão!....

Hoje, desatei o nó de meu barco que estava no cais, e ganhei o mundo...Tive medo! Será que?...Será que? E se...? Lembrei-me então que somos feitos da mesma matéria das estrelas, para brilhar, para cintilar no céu, apesar da escuridão e do vazio. Ganhei forças e fui medindo, somando e subtraindo, todos os ganhos, todas as perdas. Ganhou a coragem de arriscar, de descobrir a minha Finisterre (fim da Terra). Conta a tradição galega que o caminhante, ou peregrino, depois de ter sofrido todos os desafios do Caminho de Santiago, ter passado fome, frio, e ter sido fustigado pela chuva gelada que cai quase sempre no trajeto, deverá ir um pouco mais adiante do marco de chegada, banhar-se no mar em Finesterre, e queimar uma peça de roupa que usou no percurso. Exausto pelo esforço de semanas a caminhar, resta-lhe, ainda, enfrentar a derradeira prova de coragem e fé. E ele vai...Não pesa seu cansaço nem teme ficar no meio do caminho. Só assim terá sido coroado com êxito e vencido a si mesmo. Uma vitória particular e interior. Eu, como esse peregrino sinônimo de resiliência, palmilhei o que julgara improvável desde que tomei o leme da minha nau. Meu rito de passagem, foi muito menor que o desse viajeiro do Caminho, porém repleto de significado para quem sempre somente explorou sua conhecida zona de conforto. Fui longe para meus passos, vi o mar, vi outras paragens, e retornei crendo que os dragões e meigas que povoam nossos medos e pesadelos, são lendas facilmente esquecidas e quase sempre bem maiores em nossa imaginação. Volvi renovada; pronta para novas viagens... Tome você também o cabo de sua nau, desate o nó de seu barco, e deixe-se levar mar afora. Como alguém me disse, quando eu ainda era uma criança e não sabia nada sobre o mundo, “o melhor da viagem é sempre o regresso!”  


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