Criando a volúpia dos sentidos

Faltam-me subsídios para declarar com veemência que as pessoas leem, veem e curtem o trabalho que faço. Mera ilusão. Não importa muito, pois sigo criando e essa hora é mágica, primordial, genética. O assombro fica por conta do deleite que gera no coração, na alma, na fadiga abençoada e perene. Saem acordes, entram acordes, misturam-se moléculas que esticam suas garras, alcançam outras moléculas, fazem pontes, imiscuindo-se em outros domínios e regressando em remanso, como ondas no quebra-mar, agora já de outra espécie, com outra forma, outro aroma, outro tudo. E a composição nasce, estruturada a princípio e desestruturada, um ad infinitum, de uma cor irizada, notas indolentes, narcóticas e exuberantes, assim que se acercam e se encaixam nos recônditos geradores de tradução e interpretação misteriosa dos aromas, na intricada matriz cerebral. Crio, criamos fantasias, prazer puro, volúpia dos sentidos. O conhecimento e a técnica são mister, mas a intuição é estrela guia nesse céu quântico. A Arte envolve o corpo, a alma, o pensamento, as sensações. Criador e criatura em eterna simbiose. A obra nasce...


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